Thursday, January 29, 2015

Mexendo o esqueleto

Sabe aquelas coisas que a gente sabe que temos que fazer, mas vamos fingindo que não é com a gente? Mas quando começamos a pensar em ter um filho, tudo ganha maior proporção. Queremos que eles sejam saudáveis e boas pessoas para o mundo --tanta gente se preocupa se o mundo está bom para trazer uma nova pessoa para ele, em vez de se preocupar em criar boas pessoas para ele, que é no fundo o jeito de melhorá-lo (mas estou me alongando e isso é assunto pra outro post).

O único jeito de parirmos um ser saudável é se formos saudáveis antes. Afinal, o bolinho vai vir do nosso forninho, não é? Aproveitei aqui e expliquei o nome do meu blog, ó que beleza!

Foi pensando nisso que decidi sair do sedentarismo aos 30 anos de idade. E eu era daquelas que sentiam orgulho de ser sedentária. Como sempre tive um peso normal, ria na cara das pessoas que se matavam na academia e se atracavam com um prato de alface. Orgulho da própria limitação deve ser uma forma de viver em negação, né? Eu me achava superior, porque "não precisava fazer nada" e as outras pessoas ali "perdendo" horas em uma atividade. Chamada oral rápida: quem ali estava perdendo alguma coisa, as pessoas ou eu? Acertou quem escolheu a resposta b.

O problema era que eu não gostava de fazer nada. Me matriculava na academia por um ano, mas ia no máximo três meses. Mentira, falei isso porque essa é mais uma desculpa que costumava usar. Esse não era o problema real. O problema era falta de disciplina, porque ninguém prefere acordar cedo pra se exercitar em vez de ficar um pouco mais na cama. Tem que pôr na cabeça que tem que ser feito e pronto, e não ficar parando pra pensar se hoje você está a fim ou não. É como trabalhar e passar o fio dental. Nem sempre a gente está com vontade, mas faz. (ok, às vezes eu deixo de passar o fio dental, confesso).

Enfim, mas quando fiz 30 anos, fiquei mais pensativa, fiz um balanço do que tinha acontecido até então e do que eu queria para os próximos 30 anos. E decidi que uma doença coronariana não estava nos meus planos. Com umas amigas, montei um grupo de corrida com um professor. Éramos em 10 mulheres, íamos duas vezes por semana no parque pra treinar. Nas primeiras aulas, eu corria por 30 segundos e tinha vontade de vomitar, passava muito mal mesmo. Um mês depois: de 10 caímos pra 3 alunas. As outras 7 começaram com as desculpinhas de sempre: falta de tempo, a perna que dói, o vento que não está soprando pro lado certo... Mas depois desse mês, eu já conseguia correr 1 km. Devagar, mas corria. 

E assim foi indo. Ficamos (só eu e mais uma amiga) com esse grupo por dois anos. Depois, mudei pra longe do parque e paramos de ir. Mas a corrida nunca mais saiu da minha vida. Hoje tenho uma esteira em casa, na qual subo pra correr sem falta 3 vezes por semana e, quando dá, vou pro parque treinar ao ar livre. De vez em quando, faço umas provinhas de rua que dão um gás incrível aos treinos. Comecei a sentir falta de algum exercício muscular e me encontrei no pilates há um ano e meio.

Mas é isso, gente, eu não acordo com vontade de ir pra esteira. Eu me jogo pra fora da cama sem pensar, porque se eu pensar, não vou. Com o pilates é a mesma coisa: eu coloquei como prioridade na vida. Se alguém me chama pra fazer algo na mesma hora do pilates, eu não vou, porque se ele ficar em segundo plano, do tipo "ah, tudo bem, depois eu reponho", não vai rolar. A tendência é não ir, sempre, então eu só vou e depois penso. Sabe aquela dor muscular horrorosa que às vezes ficamos nos dias seguintes a um treino mais pesado? Então, vou curá-la na esteira ou no pilates. Porque esquenta e passa. Eu simplesmente não aceito as minhas próprias desculpas. Porque é o que eu sempre falo: desculpa pra não se exercitar tem umas 500, põe no papel. Você tem é que encontrar uma ou algumas desculpas boas o suficiente para serem maiores do que todas as outras. Pra mim foram essas: 

- Um corpo capaz de parir. Porque não é fácil carregar aquele peso todo e, menos fácil ainda, aguentar o esforço físico do trabalho de parto.
- Dar exemplo para meu filho, pois quero que ele seja esportista desde criança, pra quando ele crescer não ficar nesses dilemas "faço ou não faço" que a gente tem.
- Não quero precisar de ajuda pra ir fazer xixi quando estiver velhinha.

Dito tudo isso, eu confesso que só estou no caminho da conscientização. A parte da alimentação ainda é difícil pra mim. Também aos 30 anos comecei a comer salada, mas ainda como muita porcaria. Mas isso é assunto para o próximo post.

Deixo vocês com o maravilhoso Drauzio Varella, que pôs em um vídeo tudo o que eu penso:

video








9 comments:

  1. Oi Licka, nossa me identifiquei muito com o seu post! Eu também fui sedentária a vida toda e foi só aos 32 anos, quando decidi que queria engravidar é que me caiu a ficha de que precisava me exercitar e assim comecei caminhadas e pilates. Hoje mesmo estou com uma puta dor no corpo da aula de pilates da terça, mas hoje vou mesmo assim, sem pensar, sem desculpas...

    Bjos
    Carol
    http://derepentequerosermae.blogspot.com.br/

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    1. Isso aí, Carol! Só a gente pode fazer essa mudança na vida.
      Beijos

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  2. Oi Licka, preciso tomar vergonha na cara e fazer exercícios tbm... é como vc disse, tenho 500 desculpas pra não ir, mas não consigo encontrar melhores desculpas pra ir rsrsrs... ta ai meu dilema rsrs... oh dureza!!!

    Bjos
    Ly
    http://nossosdiasnossaespera.blogspot.com.br/

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    1. Hehehe, Ly. Encontra uma, vai. Força! Juro que depois dos meses iniciais vira hábito e a gente nem sofre mais tanto.

      Beijos

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  3. Concordo!! Preciso criar coragem também e sair dessa inercia. Ano passado até que eu comecei, mas abandonei. Mas tenho fé que esse ano, tudo muda. A começar pela alimentação. Detesto salada, vou me forçar a comer. E regular os horários certinho, porque o que me mata é ter que comer de três em três horas. Geralmente eu fico pulando, aí quando vou comer, me acabo...

    Mom
    http://aguardandodestino.blogspot.com.br/

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    1. Mom, eu também odiava salada. Tinha ânsia de comer alface. Mas taí mais uma coisa que é hábito: passado o começo sofrido, faz até falta quando a gente não come por uns dias. E quanto aos exercícios, tenta achar alguma coisa que você não odeie muito, porque amar, amar, é um pouco difícil. O negócio é ir tentando até encontrar.

      Beijos

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  4. Oi Licka, cheguei ao seu blog porque encontrei na lista de uma outra blogueira e achei muito interessante o titulo "Bebe Bolinho" e tive curiosidade de saber o que significava..risos...vc explicou no post e achei uma ótima a ideia..risos
    Sobre a ter uma vida mais saudável, vc esta certíssima, como a maioria de nós, eu também sou uma que sempre fica deixando para depois...Já estou tentando melhorar a alimentação e sobre a atividade física estou pensando em natação...(mas não posso ficar só no pensar..risos..)

    Bjks, Estou te seguindo, se quiser me conhecer melhor segue o link do meu blog.

    http://blogdalidianaleite.blogspot.com.br

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    1. Oi, Lidi. Para de pensar, se joga na piscina! rsrsrs

      Vou lá conhecer o seu blog!

      Beijos

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  5. Ola!! rs! Ja estava te seguindo. Sou do grupo do whatssap blogueiras férteis. Depois quero minhas dicas sobre tabela temperatura basal rs!

    Nossa, me enquadro nessa lista, estou tentando me contentar com prato só com alface e carne branca rs! Mas estou nas mudanças e saí do sedentarismo é minha meta tbm.

    O importante que vc ja está mudando seus hábitos também, vai da tudo certo!! Beijos!

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